Por que se hospedar em Copacabana no Rio de Janeiro (e o que fazer no bairro)?

Volta e meia surge alguém pra reclamar de “clichês” em viagens  – e muitas vezes esse alguém até sou eu.

Eu reclamo bastante, por exemplo, daquelas imposições de lugares que você “tem que ir”, porque a verdade é que você não tem que ir em lugar nenhum: a ideia numa viagem é ir onde der vontade, senão viajar vira uma espécie bizarra de obrigação moral/trabalho – mas isso foi abordado naquele texto Como o “vício” em viajar pode te fazer mal (e ferir as pessoas ao seu redor)então vamos voltar ao assunto aqui.

Copacabana, no entanto, é um desses lugares clichês e que muitos dizem que você “tem que ir”, mas dessa vez eu tô aqui pra defender o bairro – que por ser tão famoso, pode acabar se tornando também meio rechaçado por alguns, que criam um preconceito antes mesmo de conhecer.

Então vamos conhecer as razões pro preconceito e as razões pra tanto amor e tanta fama.

Quais os “clichês” do Rio de Janeiro – e por que se tornaram clichês?

Convenhamos que o Rio de Janeiro em si já é um grande clichê. Quem nunca ouviu e/ou usou a expressão “cidade maravilhosa” (mesmo que não concorde) que atire o primeiro côco gelado e biscoito globo na areia da praia (na verdade não atire, tem lixo pra isso).

E entre os clichês dentro do clichê, temos Copacabana. Tão clichê quanto pegar o bondinho pro Pão de Açúcar, tirar foto de braços abertos na frente do Cristo Redentor e bater palma pro pôr do sol no Arpoador.

Já tem umas 189 músicas dedicadas ao bairro, 5 zilhões de fotos tiradas na orla de Copa, 14 milhões de praticantes de SUP no posto 6 e se você for do Rio de Janeiro (ou até do Brasil) e viajar pra outro país, vai ter alguém pra falar “Oooh, Rio de Janeiro?! Copacabana?!”, como se todo um país continental se resumisse a uma cidade e um bairro.

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cães felizes da vida em Copacabana

Isso compreensivelmente gera birra e questionamento em muita gente, já que tudo que gera muito amor, também gera muito ódio em pessoas que “não entendem o por que desse tanto de amor”.

No entanto, Copacabana se tornou um clichê por alguma razão. Vamos tentar entender o motivo agora.

Por que Copacabana é um bairro tão queridinho dos turistas – e por que se hospedar no bairro?

Responder se a popularidade de Copacabana veio por causa da preferência dos turistas, ou se a preferência dos turistas veio por conta da popularidade de Copacabana, é como responder se quem veio primeiro foi o ovo ou a galinha.

O que aconteceu – e acontece – provavelmente é um ciclo. Turistas escolhem Copacabana pra se hospedar, porque o bairro tem uma praia enorme e pra todos os gostos (tem mar pra surfista, pra supista, pra banhista, ou então uma faixa de areia enorme pra quem gosta de só torrar no sol sem nem entrar na água), movimento, a comodidade de ter tudo próximo, mais de três estações de metrô que deixam o viajante bem servido de opções pra se locomover (se considerar uma saída da Estação General Osório que fica láá na pontinha, numa twilight zone entre Ipanema e Copacabana, dá 4 estações no bairro), entre muitas outras coisas.

por que se hospedar em copacabana no rio de janeiro e o que fazer no bairro
um pôr do sol de sorte na praia de Copacabana – no caso a sorte foi minha, de estar na praia quando o céu resolveu ficar tão rosado, e de ter uma câmera (embora furreca) na hora

Mas acredito que, principalmente, porque Copacabana, além de oferecer tudo isso e ser um próprio “ponto turístico”  por si só pra quem vem conhecer o Rio, tem preços democráticos e não tão exorbitantes como alguém esperaria.

Isso porque com o excesso de procura, diversos hotéis, albergues e afins foram surgindo por Copacabana, e com o tempo foi se tornando fácil encontrar alguma opção de hospedagem que atenda às suas necessidades pelo bairro.

E por que Copacabana é um bairro “democrático” pra se hospedar?

Além do fator “tem opção pra todo bolso” que falei ali em cima, Copacabana tem de tudo – o que inclusive incomoda muita gente.

Em Copa você presencia pessoas reclamando que o bairro é “caótico”, e outras dando graças a Deus pela movimentação e comodidade de ter absolutamente tudo por perto.

Daí vem a PLOT TWIST, porque se você quiser uma rua tranquila pra dormir bem de noite: tem. E se você quiser uma rua onde tem festa e/ou movimentação até 4 da manhã: tem também.

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manhãzinha tranquila em Copacabana

Tem ruas que são puro movimento e comércio, com direito a engarrafamento de gente e tudo. Daí, logo ao lado dessas ruas, tem transversais residenciais tranquilonas, onde a depender do horário você só ouve o barulho dos seus passos, dos cachorrinhos passeando e do vento balançando as folhas nas árvores, muitas vezes trazendo cheiro de planta ou de mar.

Tem ruas absurdamente valorizadas, onde uma diária de hotel tem um valor assustador. Tem ruas menos valorizadas, onde uma diária sai uma pechincha, mas você pode ficar com medo de sair de noite ali por perto. E tem as ruas meio-termo, que acabam agradando todo mundo (ou quase todo mundo), daquela maneira mais democrática possível.

Ou seja, um dos motivos pra tanta gente escolher Copacabana, é que Copacabana acaba acolhendo todo mundo. Ou quase todo mundo. Pode até ser que não te agrade, mas dá uma chance pra Copa um dia.

“Mas você já viu o valor de uma diária no Copacabana Palace? Eu não tenho condições de pagar aquilo!”

Nem eu e nem a maioria esmagadora da população brasileira e mundial.

O Copacabana Palace na verdade é caro assim não só pelo luxo e localização, mas por conta da história que ele carrega. É um hotel que tem muita história, tradicionalzão, sabe?

Pra você ter noção do que tô falando, ele foi simplesmente uma das primeiras construções que “ousaram” fazer na orla de Copacabana.

Visualiza lá, um Rio de Janeiro só com mar, areia e mato, bem lindo, e aí no meio disso tudo, uma construçãozona em art déco surge: aquele hotelzão branco e enorme. Aliás, não precisa nem só imaginar, vou colocar uma imagem aqui logo:

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Copacabana Palace em 1922, durante uma ressaca danada (você pode ver mais fotos nesse site aqui)

E essa construção continua até hoje, exatamente como nos primeiros dias, o que dá ao hotel toda uma aura mágica de tradição. Ou de resistência e sobrevivência mesmo, sabe?

A decoração do Copacabana Palace é toda antiguinha também (as pessoas que curtem um arzinho retrô suspiram), sem aquele ar de hotel moderno com design futurista e minimalista em tons de branco, cinza e preto que predominam hoje em dia.

Mas enfim, não vou me estender no assunto Copacabana Palace, que esse tópico aqui é só pra esclarecer por que raios ele é tão caro.

Vamos pro próximo tópico: o que fazer em Copacabana, ou “por que todo mundo vai parar nesse bairro”?

O que fazer em Copacabana?

Caminhar em Copacabana já é um passeio turístico por si só. Não é que você vai estar caminhando num lugar perfeito (isso existe?) e suntuoso, porque Copa tem bastante problema e caos, como dito lá em cima, mas que você vai estar caminhando pela maior orla do Rio de Janeiro e a praia mais famosa do Rio e do Brasil.

E se você for caminhando até o Leme, lá na ponta da praia, vai ter uma vista linda.

Mas se você for caminhando até o Forte, lá na outra ponta, também vai ter uma vista linda.

Aproveitando que tá no Forte, já faz um SUP no Posto 6 depois, logo ali do lado. É gostoso pra caramba (dei essas dicas e outras lá no post sobre passeios baratinhos e gostosos no Rio de Janeiro).

E sabe aquele pôr do sol lindão no Arpoador, que as pessoas batem palma na pedra? (por sinal pode fazer também, ninguém vai te julgar porque tá todo mundo passando vergonha junto) Dá pra ir caminhando de Copacabana pra lá.

A caminhada é bem tranquila de fazer, especialmente pra quem sai do Posto 6 (você já vai estar lá pra fazer SUP e visitar o Forte, veja bem). Analisando por aí, você já percebe que dá pra matar pelo menos 3 passeios em um dia – embora eu não veja razão pra pressa, e Copacabana seja ideal pra aproveitar em ritmo de Bossa Nova também.

E já que falei em pôr do sol no Arpoador, cabe contar que o nascer do sol, no entanto, é mais bonito em Copacabana, e se você puder assistir algum dia, faça isso.

nascer do sol na praia de copacabana o que fazer em copacabana .jpg

Se você se hospedar num desses hotéis da Avenida Atlântica, acorda um pouquinho mais cedo pra contemplar o sol subindo grandiosa e lindamente como uma genki dama no céu (e parabéns por se hospedar num desses hotéis da Avenida Atlântica, meu Deus…).

O céu no comecinho da manhã muitas vezes ganha tons de rosa, laranja, azul clarinho, dourado, enfim, um mix de tudo, o importante é que é bonito.

E vale botar na conta de “O que fazer em Copacabana” que o reveillon mais famoso do Rio também é em Copa. Tem um post só sobre spoilers de como é o reveillon no Rio de Janeiro aqui. Mas atrações menos conhecidas do bairro também valem muito a pena.

o que fazer em copacabana e por que se hospedar no bairro.jpg
praia de Copacabana (lá no fundo tem o Forte), foto do Pixabay

Vai lá conhecer o cinema Roxy, toma um açaí e come tapioca num dos mil Big Bis, Big Nectar, Bibi ou Bicoisos que surgem a cada esquina.

Quer surfar? Alguns pedaços da praia são bem propícios pra isso, especialmente ali pelo meio dela.

[Pode te interessar também: Guia de sobrevivência do Rio de Janeiro]

Quer mar calminho? Idem. O posto 6 é uma delícia pra quem quer nadar ou fazer SUP.

Quer comer comidinha saudável ou vegetariana? Tem um monte de opção. Copacabana faz o turista achar que todo carioca é pura saúde.

Recomendo o Bio Carioca na Xavier da Silveira, e o Rio Vegano na Barata Ribeiro, além de todos os Bibis existentes espalhados por Copa – tem tantos Bibis por Copa e pelo Rio inteiro que já não consigo mais especificar um endereço.

Quer, sei lá, comprar havaianas? Tem em absolutamente toda esquina, seja numa banca de jornal, uma padaria, uma farmácia ou em lojas oficiais de Havaianas que se espalham cada vez mais pelo bairro.

Quer passear com seu cachorro? Chega na calçada dos prédios da Avenida Atlântica lá pelas 16:00, que a quantidade de cães passeando é até animadora de assistir. 16:00 na Atlântica é tipo o happy hour dos cães.

Quer pagar de  turista tirando foto com estátua? Só em Copacabana tem 3 estátuas pra você entrar numa fila pra tirar selfie: a do Carlos Drummond, a do Dorival Caymmi e a da Clarice Lispector (essa fica no Leme).

rio de janeiro sendo lindo
foto tirada lá na Pedra do Leme – a estátua da Clarice fica aí pertinho

Andando mais um pouquinho, a estátua do Tom Jobim tá te esperando no Arpoador. E por aí vai… eu poderia ficar o dia inteiro aqui falando, e você poderia passar o dia inteiro em Copacabana.

E ainda assim não daria tempo de fazer tudo.

Conclusão sobre o “queridismo” de Copacabana

Se Copacabana tem opções de hospedagem pra todos os bolsos, opções de mar pra todos os gostos (tem trecho pros surfistas, os supistas, os banhistas ou os pais com as crianças que não param quietas, e tudo isso com uma faixa de areia bem extensa), opções de restaurantes pra todos os paladares e condições financeiras, uma localização que te permite chegar fácil em todos os pontos turístico (além da própria praia de Copacabana), e é um bairro extremamente bem servido de transporte público, fica muito explicado por que todo mundo gosta de Copa: é que na verdade Copa gosta de todo mundo.

E vai gostar de você também.

Então dá uma chance pro clichê e se permita “turistar”, porque na maioria das vezes, as coisas se tornam clichês porque são boas.

Até o próximo post e leia também sobre outros bairros do Rio de Janeiro que blogueiros cariocas escreveram na blogagem coletiva do #RIOunico:

Descubra O que fazer na Barra da Tijuca no Diário de uma Viajante

Leia um Roteiro pelo charmoso bairro de Santa Teresa por Olívia Garimpando por aí

Veja 11 dicas do que fazer na Urca, com bônus no final no Destinos e Afins

Divirta-se na Lagoa Rodrigo de Freitas com as dicas do Viagens Bacanas

Checa esse Roteiro de 1 dia em Paquetá: o que fazer? no Despachadas

E leia sobre Madureira, expressão da alma do subúrbio carioca  no Chicas Lokas

 

Segue o 1 viagem,2 visões no facebook e instagram também, e até o próximo post!

14 comentários sobre “Por que se hospedar em Copacabana no Rio de Janeiro (e o que fazer no bairro)?

  1. Ta aí um pré-conceito que acabou de ser quebrado.
    Minhas andaças por Copa são sempre pra resolver alguma coisa e meus passeios pela orla se resumiram à Reveillon e Olimpíadas, ou seja, caos!
    Preciso me redimir e fazer um passeio “Bossa Nova” por Copa!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Aaah, adoro seus comentários por aqui! Muito obrigada, Aline! E sim, Copacabana “assusta” muita gente que acredita que o bairro deve ser absurdamente caro ou absurdamente muvucado, mas vale a pena conhecer/se hospedar um dia!

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  2. Concordo com você, Copacabana é clichê, mas se você for a Paris e não conhecer a Torre Eiffel, é como se não tivesse conhecido Paris, conhecer o Rio e não andar por Copacabana, é como não conhecer o Rio. Se você já veio ao Rio e já conheceu a Copacabana dos turistas, ainda vai poder se surpreender com as muitas surpresas do Bairro. Copacabana é sem dúvida a nossa eterna princesinha!!
    beijos

    Curtido por 1 pessoa

  3. Essa história de “tem que ir” me lembra muito um blog conhecido que chama esses programas de lerê.. e eu uso muito essa expressão! Rs
    Mas falando de Copa, você trouxe muitas coisas legais e tradicionais, até eu, carioquissima, fiquei com vontade de passar o dia por lá!

    Curtido por 1 pessoa

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