12 coisas que impressionam em Santiago – um comparativo com cidades brasileiras

Santiago é uma cidade surpreendente. Não tem adjetivo melhor do que esse pra definir. Quase todo mundo que vai, volta (positivamente) impressionado e descobre que lá tem muito mais pra se ver e fazer do que pensava.

Mas não é a abundância de lugares e atrações bacanas que deixa a gente boquiaberto: a capital do Chile, apesar de ser “logo ali do lado”, é absurdamente diferente da maioria das grandes cidades no Brasil. A cidade, o povo, o clima, o desenvolvimento… parece um universo à parte mesmo.

As maiores diferenças entre Santiago e outras cidades brasileiras

1. Os prédios GIGANTEEEEESCOS – e o posicionamento deles

Pra já começar impactando, é lá que tá o maior prédio da América Latina inteira.

São 62 andares, 300 metros, um elevador que sobe na velocidade da luz e vai te causar pressão nos ouvidos quando estiver subindo (e descendo também), e uma vista deslumbrante, daquelas que nos fazem constatar que a vida é boa, o mundo enorme, a natureza linda e a gente é minúsculo (tudo ao mesmo tempo).

Pôr do sol em Santiago Sky Costanera Las Condes Puesta de sol
é aquele “discreto” ali no fundo

Ainda vou escrever mais sobre o Sky Costanera num post sobre algumas atrações da cidade depois, mas já adiantando: é sensacional, vá. E preferencialmente, vá um pouco antes do pôr do sol.

E não é só esse prédio: em geral Santiago tem uns prédiozões embasbacantes. E uma coisa curiosa é que lá ficam todos a uma certa distância um do outro, e não coladinhos como a gente tá acostumado, pra evitar acidentes durante terremotos.

2. A civilidade dos chilenos – eles realmente dão uma lição bonita pra gente

Vou ilustrar isso aqui com uma historinha (triste) real: tive que tomar 2 vacinas lá, e meu braço ficou tão dolorido, que eu precisava de ajuda e quase chorava na hora de colocar um casaco.

Se alguém esbarrasse (mesmo que suavemente) no meu braço na rua, era provável que eu tivesse uma síncope e caísse no chão chorando, em posição fetal.

[Veja também: Os melhores e piores bairros para se hospedar em Santiago]

Mas durante todo o tempo que fiquei lá, absolutamente ninguém esbarrou em mim, nem no metrô lotado, nem no ônibus, nem na hora do rush, atravessando ruas muito cheias, com centenas de pessoas vindo na nossa direção.

Daí voltando pro Rio, e indo pro centro da cidade dias depois, em apenas um dia, 3 pessoas esbarraram nesse braço dolorido. *lágrima cai*

2.1. No metrô, as pessoas esperam você sair, pra só então entrar (!!!)

Aqui no Rio de Janeiro a gente tá tão acostumado a ser empurrado por uma multidão que quer entrar no metrô, sem levar em consideração que tem pessoas que precisam sair antes – e que se ambos fizerem o que querem ao mesmo tempo, não vai dar certo – que fiquei realmente aturdida com a educação e respeito dos chilenos nesse aspecto.

E por falar nisso…

2.2. Santiaguinos são muito cordiais e solícitos

Vamos falar na linguagem dos estereótipos, pra dar pra visualizar melhor: se o brasileiro é aquele cara da turma que tá sempre sorrindo, abraçando todo mundo e fazendo social com 17 pessoas na casa dele toda quinta-feira (que afinal, “é quase sexta”), o chileno é aquele cara mais reservado do seu trabalho, muito educado, bem na dele, mas incrivelmente prestativo, respeitoso e preocupado com o bem estar do próximo.

sky-costanera-visto-do-parque-bicentenario-em-santiago-chile
o lacinho do controle do câncer de mama espalhado pelos parques da cidade

O brasileiro vai abrir as portas da casa dele sem te conhecer direito, vai te tocar enquanto fala, com aquela fama de “caloroso, vai encostar a perna na sua enquanto senta no sofá te mostrando um vídeo do gato dele no celular, e em pouco tempo você vai estar abrindo a geladeira dele (ou ele a sua).

O chileno definitivamente não vai fazer nada disso (e possivelmente ele precisa confiar melhor nas pessoas antes de chamar pra uma feijoada na casa dele… e possivelmente ele também não come feijoada). Mas ele é incrivelmente gentil, atencioso e gente boníssima da sua maneira – e mais deferente às geladeiras alheias também.

3. A limpeza e organização das ruas

Santiago surpreende no nível de organização e limpeza, e lá é tudo muito funcional e bem pensado.

Ruas limpas e organizadas de Las Condes Santiago Estacao Manquehue
ruas de Las Condes (ACHE A SUJEIRA)

Talvez por questão de sobrevivência: estamos falando de um dos países mais sísmicos do planeta, e se eles não forem organizados e não planejarem bem o que estão fazendo, a cada terremoto uns prédios vão cair, muitas pessoas vão se estrupicar em calçadas quebrando, uns tantos carros vão bater, a cidade toda vai ficar sem luz… Mas não é o caso.  A cidade costuma sair “ilesa” (dentro das possibilidades) de terremotos.

Terremotos que, se ocorressem aqui no Brasil, no mesmo nível de lá, era provável que dizimassem a população em dois palitos.

4. O frio… muito frio… muito frio mesmo – e o clima seco que vai detonar sua boca e seu cabelo

Isso aqui não vale muito como “diferença” quando se compara com as cidades do sul do Brasil, mas pra todas as outras, o frio lá é realmente algo incômodo. Ir pra Santiago no inverno pode não ser uma ideia tão boa, apesar da garantia de ver os andes nevados (que ficam absurdamente lindos).

Vai dar preguiça de sair da cama e do quartinho aquecido (aliás, outra diferença: todos os apartamentos costumam ter aquecedor) pra conhecer as tantas coisas bacanas que a cidade tem pra oferecer, e as vinícolas não vão estar tão bonitas (vai valer a pena o passeio de toda forma, mas sempre poderia ser melhor se tivesse uvas).

vinicola concha y toro no final do inverno santiago de chile.jpg
vinícola sem uva (chuinf :()

Querendo ver os andes nevados, mas sem sofrer tanto com um vento gelado e cortante, uma dica boa pode ser ir no final do outono ou o começo da primavera.

Ou contar com o el niño também, que tem bugado tudo: nos últimos anos, os andes tem ficado beeeem nevados até mais tarde.

Sobre o clima seco: leve hidratante labial. Falei bastante sobre isso e outros detalhes importantes naquela lista de o que eu não deveria ter feito quando fui pro Chile, e a dica ainda é muito válida.

5. O metrô funcional

Não é só o fato de pessoas respeitarem muito as outras, não se amassarem, e permitirem muito educadamente que outras saiam do vagão antes de entrar: o metrô lá é sensacional e provavelmente vai te levar pra todo lugar que você queira ir na cidade.

Eu nem sei como taxistas sobrevivem lá. Provavelmente graças às pessoas que ainda não sabem que o metrô levaria elas pro mesmo lugar, mais barato e mais rápido – ou as que preferem mesmo.

6. O paraíso das compras de inverno

Gorros quentinhos de qualquer cor e formato, casacos impermeáveis muito bons, jaquetas corta-vento, roupas voltadas pra atividade física no frio e afins: você vai encontrar isso em todo shopping, feira e vendinha da esquina em que for. Os preços não são tão bons, verdade, mas em termos de abundância de opções, Santiago capricha.

Lá também vende muita coisa de lápis-lazuli. Sério, muita coisa. Muito lápis-lazúli mesmo. Lápis-lazúli pra todo lado. E tem cada shoppingzão…

7. A visão impressionante dos Andes, de todo lugar

Quando você estiver esperando o sinal abrir pra atravessar a rua (aliás, vamos bater todo um papo sobre “atravessar a rua” no tópico 9), experimenta olhar pro alto.

Santiago de Chile no inverno

Essa coisa linda vai estar lá, de qualquer lugar que seja, te rodeando.

8. A abundância de vinícolas

Santiago e os arredores tem tanta, mas tanta vinícola – e tantas lindas – que a sua tarefa de decidir pra qual delas ir vai ser bem difícil. Foi pra mim também, levei uns dias só pesquisando as opções e os “prós” e “contras” de cada uma.

Ainda devo escrever sobre as impressões da que a gente visitou lá (já dou spoilers: é linda, e esse tipo de passeio sempre é incrivelmente agradável), e tem um blog de viagens que adoro que já fez toda uma lista de vinícolas pra conhecer em Santiago, com riqueza de detalhes, nesse post aqui: Documento de Viagem – Três Vinícolas para visitar perto de Santiago

8.1. … e de abacates

Eles colocam abacate em tudo lá. Até no cachorro quente.

8.2 … e de cachorros

Você vai esbarrar com muitos cães nas ruas da capital. Muitos. Falei mais sobre isso naquela lista sobre o Chile.

9. Os motoristas respeitam muito os pedestres – e os pedestres não atravessam nunca fora do sinal

Isso poderia estar no tópico sobre a civilidade dos chilenos, mas é tão impressionante que merecia um tópico à parte.

o melhor de santiago

Um dia a gente tava caminhando por lá, e parou numa ruazinha que não tinha absolutamente nenhum carro VISÍVEL (ou audível) por perto. Um bicho preguiça atravessaria tranquilamente, mesmo que estivesse usando tênis e parasse pra amarrar o cadarço no caminho.

No entaaanto… o sinal tava fechado. Por conta disso, em cada lado da rua, tinha pelo menos umas 3 pessoas, que jamais atravessariam.

O que fez a gente se sentir constrangido e achar que deveria esperar também.

Mas o sinal demorou tanto tempo pra abrir – e sem absolutamente nenhum carro à vista – que começou a dar vontade de rir, porque em determinado momento parecia que a gente tava brincando de sério com as pessoas do outro lado, todos imóveis.

ruas de las condes santiago de chile na primavera
“vamos parar aqui e esperar… PARA SEMPRE”

Apelidamos essa rua de “avenida contemplación”, já que parecia que todo mundo tava contemplando o dia, parado ali.

Além disso, os motoristas (em regra) quaase seeeeempre param pra deixar os pedestres passarem primeiro, mesmo quando o sinal está aberto pra eles. E por falar nisso…

10. É cada carro que minha nossa senhora

Eu não entendo nada de carro, meus conhecimentos realmente se limitam a quais personagens são mais velozes no Mario Kart (todo mundo quer o Yoshi, e não é só porque ele é “fofinho”), mas quem manja do assunto costuma ficar embasbacado com os carros de lá também.

11. As estações muito marcadas

No dia que você sair de casa tremendo, ver os andes branquinhos, e quase congelar: é inverno. No dia que você sair de casa, ver os andes sem neve e quase derreter: é verão. No verão também vem o smog – efeito causado pelo clima quente+cordilheira dos andes que rodeia a cidade e não deixa a poluição “fugir”, por assim dizer.

vista dos andes em santiago de chile na primavera.jpg
Na primavera você vê a neve derretendo entre o céu mais azulzinho e as árvores bem verdinhas

Quando começar a esfriar de novo, o pico dos andes começar a se pintar de branco como uma camada pequena de chantilly no bolo, e as folhas ficarem bem laranjinhas nos parques, criando um cenário adorável: o outono chegou. E por aí vai…

Aliás, tem um vídeo com cenas de Santiago em uma Primavera tardia aqui:

12. O desenvolvimento econômico e social

Santiago é uma cidade incrivelmente desenvolvida, e você consegue perceber bem isso. O Chile é um país com um alto índice de liberdade econômica (o primeirão da América Latina, e o sétimo no mundo – pra ter noção o Brasil tá lá pelo 70º lugar nesse ranking… Venezuela e Coreia do Norte nos últimos).

O nível de segurança da cidade impressiona, especialmente se comparado com as grandes cidades brasileiras, onde usar um brinco que brilhe um pouco é “viver perigosamente”, e assim que você pega um celular na rua, alguém grita desesperado “ESCONDE ISSO”. Lá você sente um pouco a tranquilidade de uma cidade pequena, mesmo estando numa cidade tão grande (mas claro, depende muito de em qual região você estiver). O que é incrivelmente gostoso.

Predios de Santiago Las Condes.jpg

Fica claro que a capital do Chile (e os chilenos) tem muito pra oferecer, surpreender e ensinar, e que vale a pena conhecer. Além disso, como falei lá no tópico 2, pode ir tranquilo mesmo se estiver com o braço quebrado, porque em Santiago dificilmente alguém vai esbarrar em você na rua!

Confira também: O que eu não devia ter feito – nem ninguém – quando fui pro Chile

Querendo reservar seu hotel em Santiago ou fazer seu seguro viagem com desconto, confere os links na barrinha aqui do lado direito do blog (se estiver vendo no pc)! E falei mais sobre o perrengue que passei sem seguro viagem aqui.

Qualquer dúvida pode mandar nos comentários, e siga o 1 viagem, 2 visões no facebook e no instagram! Até o próximo post!

10 comentários sobre “12 coisas que impressionam em Santiago – um comparativo com cidades brasileiras

  1. Você fez o perfil perfeito de uma cidade que realmente é fascinante. Claro, Santiago tem muito mais mas descobrir esse muito mais também é fantástico. Texto que faz a gente querer, no meu caso, voltar ao Chile o quanto antes. O meu abraço.

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