O que eu não devia ter feito (nem ninguém) quando fui pro Chile

Tem muita coisa que eu errei quando fui pro Chile. Uma delas inclusive foi VOLTAR de lá, porque aquele lugar é sensacional e na volta bateu uma saudade danada (escrevi um pouco sobre os motivos da saudade aqui), mas isso aí não deu pra evitar. Mas os erros evitáveis eu vou registrar aqui, que de repente poupo alguém de errar também.

1. Tomar dramin/remédio anti-enjoo antes de subir os andes (NÃO FAÇA UMA TITICA DESSA)

A maioria esmagadora dos remédios anti-enjoo fazem a pressão baixar (talvez absolutamente todos, mas tô jogando “maioria” pra não ser injusta com algum raro remédio que possa não ter esse efeito colateral), além de darem um sono lascado – nesse caso aí o sono é o menos grave dos efeitos.

A última coisa que eu precisava era baixar minha pressão, que já é naturalmente muito baixa, quando tô prestes a encarar quase 3.000 metros de altitude e ar rarefeito. Pessoas podem morrer numa dessas, mas eu não fazia ideia. Graças a Deus só passei mal pra caramba e mal curti lá em cima (“só”).

booom fotografo
cenário mó bonito e eu bugadassa aí nessa foto (tava começando a passar bem mal)

Antes de encarar altitude o ideal mesmo é ir num médico e tirar todas as dúvidas possíveis, inclusive se você pode/deve sassaricar como (e onde) tá pensando em sassaricar. Não é nada pra ficar com medo, só pra se informar antes de ir – coisa que eu não fiz antes de ir pro Chile e mandei muito mal.

2. Não guardar todos os papéis que dão no aeroporto quando a gente chega

Você vai precisar daquele papel compridim branquinho com o código depois. Eu não guardei (na verdade esquecemos na gaveta da casinha maravilhosa da nossa anfitriã igualmente maravilhosa – que merece um post à parte, vou fazer qualquer dia) e consequentemente vivi uns momentos meio chatos de pânico e desespero na hora de voltar. Não é nenhum perrengue incontornável, pode ser resolvido com tempo e fila, mas dá um susto ferrado, e a possibilidade de você perder seu vôo existe. Definitivamente é melhor evitar.

3. Não ter passado hidratante/protetor labial O TEMPO TODO

Vai ter gente acreditando que esse tópico é “frescura”, mas se essa mesma gente for pra Santiago no outono/inverno, vai entender bem o que tô falando e voltar dizendo “eu devia ter levado o item 3 daquela fresca em consideração”.

Pra dar uma noção do que o clima lá pode fazer com a boca de uma pessoa, vou dar a referência que desertos não deixaram meus lábios tão secos. A palavra “secos” pode não dizer muita coisa ainda, então vou além e especificar com “feridos”, “descascando”, “machucados”, “doloridos” e “quase caindo aos pedaços”. Chegaram a sangrar mesmo.

Claro que isso pode variar de pessoa pra pessoa, pode ser que eu tenha lábios hipersensíveis, muito finos ou qualquer coisa do tipo, mas não fui só eu que sofri lá, e os relatos de sofrimento tão espalhados por toda a internet, é só pesquisar se quiser um incentivo pra colocar um hidratante labial na bagagem de mão (que não pesa nem 1 grama e não custa nem 10 reais, só coloca logo).

4. Achar que “já tô toda coberta de casaco/luva/gorro, não preciso de tanto protetor solar assim”

Eu peguei o maior (e mais rápido) bronzeado da minha vida a -5 graus nos andes chilenos. Claro que eu tô de palhaçada quando falo “bronzeado”: só fiquei com o nariz estupidamente vermelho e queimado numa velocidade recorde. Não ficou bonito, não recomendo.

E o fato da gente estar todo coberto (afinal tá frio) dá a falsa impressão que o sol não vai ter “onde” queimar, mas vai. E ainda vai ser mais grave.

Não é nem uma questão só de estética e desconforto, mas de saúde mesmo. Se você quer viver bem, e viver mais (pra inclusive poder aproveitar mais momentos e lugares bacanas como os que o Chile proporciona), arranjar um câncer de pele atrapalha brutalmente seus planos. Então passar protetor solar é um “sacrifício” que não toma nem 1 minuto e vale muito a pena.

5. “Não deve estar tão frio lá fora, acho que não preciso levar esse casaco aqui”

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Eu sou realmente insana de ter pensado uma coisa dessas: tô acostumada com o clima do Rio de Janeiro e Salvador e consequentemente começo a tremer com 22 graus.

Esse pensamento de “acho que não preciso ir de casaco” é muito sedutor, porque é tããão mais rápido e prático sair sem se agasalhar, mas tem que ser banido da (pelo menos minha) vida.
Eu preciso é de todos os casacos do planeta. Daí se eu sentir calor depois ou achar que exagerei, é só tirar. Mas se eu for SEM casaco, vou só tremer, passar mal e morrer congelada. Esse é o melhor exemplo de “melhor prevenir do que remediar”.

Isso se você for friorento, claro. Se você morar em Oymyakon por exemplo vai só sentir uma brisa suave e pensar “que que essa ridícula tá falando aí de se agasalhar todo”.

6. “X dias vai ser o suficiente pra fazer tudo que eu quero”

Nunca vai.

(Pode substituir o “x” por qualquer número)

Todo mundo que vai pro Chile descobre que quer fazer outras 70 coisas, ou quer repetir outras, ou quer sei lá, VIVER naquele lugar. Pera, eu vou corrigir o “todo mundo” porque sempre tem gente meio chata, mas vá lá, “a grande maioria”. Lá realmente surpreende positivamente.

Tem essa coisa de ser um país que as pessoas, em regra, vão meio sem expectativa, sabe como é? Elas no máximo imaginam que tenha alguma coisinha legal, mas não que tenha TANTA coisa, e que a própria capital seja TÃO grande, organizada, segura, absurda, cheia de opções de coisa pra fazer e ao mesmo tempo muito gostosamente tranquila quando você quer essa tranquilidade.

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Isso causa um efeito “meu Deus, não vai dar tempo de fazer tudo que eu acabei de descobrir que tem pra ser feito aqui!” em quase todo mundo.

É difícil conseguir aproveitar tudo de sensacional que o país tem pra oferecer numa ida só, ainda que você fique só no circuito Santiago – Andes. Se for além, você surta com a abundância de paisagens possíveis do tipo deserto, praia, neve, vulcão, ilha mística paradisíaca e por aí vai.

7. Não ter comprado comida/lanchinho/remédio pra cachorro numa pet shop assim que cheguei

O Chile é oficialmente o reino dos cachorros. Ou seja, é um lugar  absurdamente maravilhoso – embora a questão do abandono seja triste pra c*ralho. A cada quadra você vê um monte de cachorro adorável na rua.

A GENTE PODE LEVAR TODOS OS CACHORROS PRA CASA E POR QUE NAO

O problema é que a gente tá vendo CÃES ABANDONADOS, por mais lindos, alegres e bem tratados que aparentem ser. Alguns inclusive não vão aparentar estarem alegres e bem tratados não, e dá uma tristeza absurda quando a gente se depara com esses.

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Nas regiões mais pobres tem muitos desses seres adoráveis com o olhar triste, famintos e maltratados. Então pra quem puder ajudar, colocar algo pra dar pra eles na mochila/bolsa toda vez que sair é uma boa.

Eu levava biscoito tipo cream cracker/club social na bolsa, porque não achei pet shop por onde tava, mas não ajudei grandes coisas com isso.

Nunca vou esquecer que uma noite na volta pra casa, a gente viu um cão que tava claramente sofrendo com alguma dor no ouvido, e não pude ajudar lhufas. Era tarde da noite, não tinha nada aberto, e tudo que fiz foi oferecer biscoito 7 grãos pro cachorro (que ele nem quis). Eu lamento até hoje não  estar por acaso com sei lá, um REMÉDIO PRA DOR DE OUVIDO DE CÃES na mochila, algo assim. Ou pelo menos um remédio anti-pulgas, tipo aqueles frontline da vida, que já poderia ajudar com vários problemas dele.

8. Não ter prestado tanta atenção na escolha das botas que ia usar na neve

Eu devo ter algum problema porque acho neve um porre, não consigo romantizar, por mais bonito que seja. Pra mim é um negócio bom só de OLHAR, mais nada. E andar em muita neve ainda é um treco hororroso. HORROROSO.

Não tem boneco de neve que torne legal a experiência de afundar o pé em muitos centímetros de gelo, e ter a maior dificuldade do planeta pra conseguir ir de um lado pro outro – e a depender de onde você estiver, se tiver altitude também, isso aí piora.
Ainda existe o risco, se você for estabanado e desatento como eu, dos seus pés quase congelarem se entrar um pouquinho de neve na sua bota por qualquer razão.

O conforto delas também é crucialzasso. O tamanho da minha tava terrível, e se andar em meio metro de neve já é complicado, com uma bota horrorosa você se sente oficialmente um pinguim manco.

9. Não comprar a p*rra toda

Vi muita coisa bacana nas lojas de lá/feirinhas (Santiago tem muita feira e shopping bacana), mas fiquei deixando pra depois, deixando pra depois, deixando pra depooois, até que não teve mais depois e voltei trazendo quase nada. Dei mole.

Tem o lado bom de economizar, de seguir numa filosofia menos consumista, mas tem o lado ruim de você não tão cedo esbarrar de novo com aquele gorro quentinho e bonitasso que curtiu tanto e que QUIS comprar, e perder oportunidade por procrastinação e “dação de mole” mesmo, não só por “economia” e “filosofia de vida”.

Isso aí é o que lembro e me bate um “putz, por quê?”, mas sem dúvida deve ter mais coisa. Se eu lembrar de mais, volto pra acrescentar, e quem quiser fica à vontade pra sugerir também!

Leia também sobre o que mais surpreende em Santiago, e já vai se preparando psicologicamente pro tanto que a capital chilena impressiona!

Ah, e o 1 viagem, 2 visões agora também tá no facebook e no instagram, e pra ver mais posts sobre o Chile, é só clicar na categoria Chile ali em cima no menu!

Até o próximo post!

9 comentários sobre “O que eu não devia ter feito (nem ninguém) quando fui pro Chile

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