Breve relato de 2 pessoas morrendo de tédio em BH

Antes que eu (muito provavelmente) ofenda algum belorizontino com esse post, já vou começar listando as melhores coisas de Minas:
1. As pessoas.
2. O sotaque delas.

Nada obstante, a gente realmente morreu de tédio na capital (inicialmente esse post se chamava “guia pra não morrer de tédio em BH”, mas é complicado fazer um guia de como não morrer de tédio, porque a gente morreu. Daí esse post tava tipo o presidente da Coreia do Norte escrevendo um guia de “como ter um país desenvolvido economicamente”).

O problema não é (taanto) a cidade em si, mas a seleção de “o que fazer em Belo Horizonte” que a maioria dos sites fazem. Citam lugares como “Savassi” por exemplo, quando se tem lugares tão melhores e que te deixariam com uma impressão mais positiva de BH.

A savassi pode (sei lá se pode na verdade) ser um bom ponto de encontro, mas o cara que listou ela como ponto turístico era um sádico do caramba (certeza que só queria ver o viajante chegando lá e fazendo cara de ““).

Eu vou dar o exemplo real do quão problemáticas essas listas são: Ricardo, sagaz e veloz como uma lince, achou de cara uma lista de “O que é imperdível em Belo Horizonte” assim que chegamos lá (só vimos a lista chegando lá mesmo, porque não temos a menor vergonha na cara – e essa viagem foi totalmente não planejada).
E fomos direto no primeiro lugar da lista, porque né, IMPERDÍVEL, magina se a gente ia perder um negócio desse. A gente tinha pouco tempo pra passear e queria aproveitar pra conhecer os lugares mais relevantes de acordo com a lista.

…E o primeiro lugar era a Igreja São Francisco de Assis.

Quem conhece a Igreja São Francisco de Assis (“Igrejinha da Pampulha”) já entendeu o drama, mas pra quem não foi eu explico: (SPOILER PRA QUEM AINDA VAI)

o passeio por ela se esgota em 10 passos e 4 minutos.

No mais é uma igrejinha adorável, bonita mesmo, e que dá pra recomendar o passeio DESDE QUE combinado com outros (até porque você vai ter uma baita sensação de que perdeu uma viagem de táxi à toa pra passar 5 minutos num local e ir embora), ou que você esteja lá perto mesmo.

Pra quem não liga de ter spoilers, tem umas fotos aqui, e acredite, essas fotos são absolutamente tudo que tem pra se ver lá. A igreja é quase do tamanho do meu quarto (e meu quarto é pequeno, vai por mim).

Ela é bonita por fora também. O projeto é de Oscar Niemeyer, e até aqui deu pra notar que ele nos sacaneia toda vez que visitamos alguma coisa projetada por ele, tipo Brasília (leia o drama com Brasília aqui) ou igrejas em que o passeio acaba em 10 passos (e não acaba aí, mais pra baixo tem mais).

Lá tem missas terças e domingos, com entrada franca, e fora dos horários de missa tem que pagar a entrada pra visitação (com desconto pra estudante, se não me engano). O valor é bem pequeno e vale a pena de toda forma (afinal, CÊ JÁ TÁ LÁ, NÉ). Tem também uma lojinha que vende umas lembranças bonitas.

Vale mencionar que as moças que trabalham nessa lojinha e vendem o “ingresso” pra igreja são muito simpáticas. Eu NÃO LEMBRO de onde tirei essa impressão, só lembro de ter saído com a impressão forte de “NOOH, ELAS SÃO TÃO BACANAS ^__^”, então devem ser.

Agora que já introduzi o dilema de se confiar nas listas de “lugares pra se visitar em BH”, segue lista “f*da-se o sistema/vou no que  eu quiser e não no que falaram que tenho ir!” e aí você escolhe o que quiser dela. Inclusive pode tacar o f*da-se pra ela e não ir em lugar nenhum também.

O que fazer em BH – Parte 1: Passeios na Lagoa da Pampulha

Como estamos no level EASY (ou level “tô passando aqui rapidinho e quero só ver umas coisas rápidas/acessíveis pra não passar em branco”), as coordenadas pra chegar lá são:

  1. Você entra num táxi.
  2. Você diz “moço, me leva lá na Lagoa da Pampulha”.Pronto. Não vai ter taxista/moço do uber que não saiba do que cê tá falando, a não ser que ele more numa caverna e esteja começando naquele dia.
    O problema é que a Lagoa da Pampulha é bem grande. Uma referência é pensar na Lagoa Rodrigo de Freitas pra quem é do Rio.
    E aí ele vai fazer uma pergunta complicada, e se, como nós, alguém tiver muita dificuldade de tomar decisões sob pressão, precisa estar preparado pro momento em que ele vira e fala:

      – Tá, mas onde?

Vou botar aqui então uma lista de todas as possibilidades na lagoa pra você já ir pensando em quais prefere ir e mostrar pro taxista que é uma pessoa decidida, objetiva, que sabe o que quer.

1.1 Casa Juscelino Jubitchek (esse passeio foi o mais legal que a gente fez, pau a pau com a Praça do Papa. Mas cada um tem um apelo diferente, a Casa JK te causa um “uou, que interessante”, enquanto a praça é “uou, que vista linda”).

1.2 Igreja São Francisco de Assis (já falei o suficiente dela).

1.3 Casa do Baile (outro passeio que acabou em 4 minutos – ADIVINHA DE QUEM É O PROJETO! ADIVINHA!!!)

1.4 Mirante que não sei o nome, que fica entre a Igreja São Francisco de Assis e a Casa JK (auto-explicativo).

A Casa Kubitschek é realmente bonita, rende um passeio interessantíssimo, e definitivamente devia estar numa das primeiras posições na lista de “o que fazer em Belo Horizonte” (mas óbvio que não tá, comprovando que essa galera fazedora-de-lista-do-que-fazer-numa-cidade não vale nada). A atração é gratuita, fica perto da Igreja São Francisco de Assis, e dá pra combinar perfeitamente um passeio a pé pelos dois (no caminho entre um e outro você ainda passa pelo mirante, e pode aproveitar pra contemplar lá também). Da igreja pra lá dá uns 10 minutos andando, acho.

casa 5
Quando você ver essa plaquinha é que TÁ CHEGANDO!! TÁ CHEGANDO!!!

Uma das coisas que mais nos surpreendeu foi o pessoal que trabalha lá (Andressa, Thiago e Saulo), gente boa demais. Se ofereceram até pra guardar as bolsas pesadas que a gente tava carregando e ainda chamaram um táxi pra gente na saída! Esse tipo de atenção e gentileza faz diferença, e foi uma das muitas coisas que fizeram a gente ficar com uma impressão ainda mais positiva dos mineiros. Eu tenho uns amigos muito queridos de Minas que me fizeram criar uma teoria que deve ser algo que botam na água lá, que faz todo mundo ser legal assim.

A casa é grande, muito bem conservada e rende um passeio bem bacana. Não achei que fosse gostar tanto e me surpreendi.

Agora vamos falar da Casa do Baile. O que falar dessa casa que eu nem passei 25 segundos e já considero pacas?

Chegamos lá e em menos de 3 minutos saímos e não sabíamos mais o que fazer (êê Oscar Niemeyer…). Tá vendo essa sala aí na foto? (SPOILERS) É basicamente a casa toda. Como eu não faço ideia do que falar dela (não sei nem como enrolar caminhando, quanto mais escrevendo sobre), vou copiar e colar o que a wikipédia diz:

“A Casa do Baile foi inaugurada em 1943[1] para abrigar um pequeno restaurante, um salão com mesas, pista de dança, cozinhas e toaletes. Situada numa pequena ilha artificial ligada por uma pequena ponte de concreto à orla. Com a finalidade de criar naPampulha um centro de reuniões populares, a Prefeitura fez o edifício do Baile, local destinado às diversões havendo, portanto, duas finalidades na execução desta obra – a de valorização artística da Pampulha e a função social, como diversão para o povo.
(…)

Em 2002 a Casa do Baile foi reaberta após sua restauração, realizada sob a coordenação do próprio Oscar Niemeyer com novos sistemas de climatização e iluminação. Seus jardins também passaram por um processo de revitalização obedecendo à intenção paisagística da proposta original de Burle Marx. Desde então, vem funcionando como um Centro de Referência de Arquitetura, Urbanismo e Design.”

Na wikipédia também tem a informação de que fica aberta de terça a domingo, das 9 às 19, então é isso aí.

SAMSUNG CAMERA PICTURES
Ricardo caminhando e provavelmente pensando “cabou?”

O que fazer em BH – Parte 2: Praça do Papa (Israel Pinheiro) e Mirante das Mangabeiras

A gente não foi no mirante das mangabeiras. Quando passamos lá por perto não dava mais tempo. Mas nossa carona-e-guia-turístico-2-em-1 passou o bizu que o lugar é muito bom, tem um visual incrível e que a gente devia ter ido, então vou confiar e listar aqui.

Já na praça do papa a gente foi, e posso afirmar que foi lá que entendi de onde veio o nome da cidade.

praça do papa 1.2
a foto NÃO FAZ JUS (eu que tirei numa câmera furreca .__.), mas o horizonte é bonito pra caramba visto de lá

A gente gostaria de ter ido na Praça do Papa DE CARA, pra já começar com uma perspectiva tão agradável e bonita da cidade. Lá rola um ventinho gostoso também, coisa que a gente sentiu falta em geral em BH, o clima é muito abafado. Mais um motivo pra galera de lá merecer uma medalha, que além de serem gente boa são sobreviventes de um clima vil e desumano.

Então as dicas principais de onde ir lá que juntamos até o momento são: Praça do Papa (preferencialmente de cara, pra você já começar otimista com BH), Mirante das Mangabeiras, e os passeios na Pampulha (podendo se poupar de alguns, que realmente não são “imperdíveis”, como as listas gostam de dizer).

O Pedro (1) me passou também a dica que a “ladeira do amendoim” é um ponto que vale ir em BH. É uma ladeira. E os carros sobem, ao invés de descer. Parece realmente mágico. Pedro sabe das coisas.

E o Pedro (2), que é de BH, falou que gosta da “Autêntica” de lá, e também de Inhotim. Mas Inhotim não fica em BH e ele tá me enrolando. De qualquer forma fica aí a dica, porque ele sem dúvida sabe do que tá falando mais do que eu. Edit: ele também passou a dica da praça da liberdade e a igreja da boa viagem, que é maior e mais bonita que a da Pampulha! 

Na próxima semana vai ser a vez de babar no Uruguai, esse país delicioso que merece mesmo um post babante!

4 comentários sobre “Breve relato de 2 pessoas morrendo de tédio em BH

  1. Estamos em Belo Horizonte nesse momento. Pesquisando na internet sobre algumas coisas pra fazer, encontramos poucas coisas, e sempre o mesmo. Nossa sorte é que sempre passamos pelas cidades com tempo, e dá pra criar nossos próprios roteiros e descobrir umas programações diferentes (além de conhecer o clichê, claro). Tem muita coisa linda aqui e que nem mesmo os belo-horizontinos conhecem! Muita coisa mesmo! Espero que voltem com o coração aberto pra conhecerem o melhor de Beagá!

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