O que NÃO fazer no Centro do Rio de Janeiro (contém ironia) – 8 dicas de “sobrevivência” pra 1 dia inteiro de passeio por lá

Na minha humilde opinião que você não pediu, o Centro do Rio de Janeiro é possivelmente um dos lugares mais ricos de “coisa pra fazer” no Rio de Janeiro todo (vindo logo depois de Copacabana nesse ranking, que já dei dicas do que fazer também aqui). Isso significa muito, já que o Rio inteiro é uma cidade muito cheia de opções de passeio.

Visando facilitar seu roteiro pelo Centro (que vai ficar enorme), vamos descobrir abaixo então “o que NÃO fazer no Centro do Rio de Janeiro quando você for fazer coisas no Centro do Rio de Janeiro“.

(Dentro de alguns dias vai vir o guia “do que fazer”, mas vamos começar por “o que não fazer no Centro” primeiro, pra morder e depois assoprar)

O que não fazer no Centro do Rio de Janeiro:

Segue o guia de sobrevivência:

Dica 1 do que não fazer no Centro do Rio: Passear por lá no fim de semana

O Centro do Rio ferve de segunda à sexta, tem até engarrafamento de gente, tanto camelô que você precisa adquirir habilidades de um ninja pra desviar, um trânsito sempre carregado nas principais avenidas.

No entanto, durante o final de semana, aquilo lá parece um cenário de apocalipse zumbi: tudo fechado, ruas abandonadas, tristes e cinzentas, você só vê poucas pouquíssimas pessoas no caminho.

cenas do Centro do Rio de Janeiro em um fim de semana normal

Foi exatamente o que comentei com um amigo que disse que ia se hospedar no Centro recentemente – ele se hospedou perto do aeroporto Santos Dumont, e apesar de achar o hotel muito bom, depois confirmou que teve essa sensação de estar em um lugar muito deserto. Se quiser evitar ser a terceira pessoa a ter essa sensação, dê preferência então a passear no Centro do Rio de Janeiro nos dias úteis.

Isso se mostra até meio necessário, porque muitas atrações do Centro fecham durante o fim de semana, como os centros culturais, livrarias, catedrais, museus, bibliotecas, lojas e afins. Mas claro, se você só tiver o final de semana pra conhecer o Centro, dá pra ir de boa sim.

Isso aqui é só uma sugestão do que pode render melhor aproveitamento de uma viagem aqui no Rio de Janeiro: conhecer o Centro preferencialmente em dias úteis e os outros passeios turísticos em fins de semana (quer dizer, se puder visitar os passeios mais famosos no Rio, como Corcovado e Pão de açúcar em dia útil também vai ser bom porque vai estar bem menos lotado e até mais barato às vezes, mas isso é papo pra outro guia depois…)

Dica “1.2” do que não fazer no Centro do Rio de Janeiro: se hospedar lá

Pelos mesmos motivos citados aí em cima, se hospedar no Centro do Rio pode não ser uma ideia tão legal se você prefere locais mais movimentados no fim de semana, e se acredita que iria se incomodar com ruas muito desertas, com tudo absolutamente fechado à noite e nos feriados, sábados e domingos.

Apesar disso, o Centro tem muitos bons hotéis (você pode ver os que têm melhor avaliação aqui), que podem se adequar ao seu gosto/bolso. Só vale refletir sobre a questão do “deserto” fora dos dias úteis antes.

Um belo exemplo de hotel fenomenal no Centro do Rio de Janeiro que eu me hospedaria mesmo apesar das questões acima é o Prodigy, porque esse hotel, além de facilitar sua ida e volta pro aeroporto Santos Dumont (já que você vai estar praticamente dentro do aeroporto) ainda tem uma das vistas mais bonitas do Rio de Janeiro todo:

foto do próprio hotel

Então essa aí fica como dica “1.2” do que não fazer no Centro (com ressalvas, como o hotel Prodigy) porque é só uma conclusão da dica anterior mesmo.

Dica 2 do que não fazer no Centro: Comer na Confeitaria Colombo se você estiver sem grana (ou sem tempo)

“MAS COMO ASSIM essa maluca tá me sugerindo não comer na Confeiraria Colombo” – você já deve ter logo se alvoroçado aí lendo. Veja bem, eu só disse comer. Você pode perfeitamente ir lá ver, conhecer, se deslumbrar com a beleza do lugar, tirar 78 fotos se for o caso.

lá é realmente de babar (foto da própria Confeitaria)

Ocorre que a Confeitaria Colombo é 10 vezes mais cara do que muitas outras Confeitarias que ficam logo ao lado e vendem exatamente a mesma coisa, e ainda tem um atendimento extremamente demorado, porque tá sempre lotada.

O foco no 1 viagem, 2 visões é mais em viagens mais econômicas, então acho que pode ser útil esse aviso pra quem não é do Rio de Janeiro e precisa economizar aqui: se dinheiro e tempo são recursos escassos na sua viagem, visite sim a Confeitaria Colombo (é realmente linda), baba lá e tudo mais, mas vá sabendo que você pode perfeitamente comer também na Confeitaria do lado (ou na padaria do lado do seu hotel mesmo), que vai ser igualmente bom e um tanto mais barato.

mas que dá vontade de comer tudo na Colombo, dá…

Agora, se você não estiver precisando economizar tempo nem dinheiro, vale a pena comer na Confeitaria Colombo mesmo, porque lá é sensacional.

Dica 3 do que não fazer no Centro do Rio: Andar com uma máquina fotográfica de R$ 3.000,00 pendurada no pescoço

Na realidade eu não sei onde seria recomendável andar exibindo uma máquina dessas no pescoço – talvez no Butão, mas a máquina ainda seria pesada de carregar no pescoço e prejudicaria sua coluna (e você ainda poderia ser atacada por um urso curioso).

nem no círculo polar Ártico sua câmera cara estaria totalmente a salvo

Parece uma dica óbvia, mas muita gente esquece ou acha que não é necessário, então vale encaixar aqui: se você tem uma câmera que chame a atenção, se possível mantenha na bolsa a maior parte do percurso, e deixe pra retirar só quando estiver dentro dos locais que deseja fotografar e sentir que são realmente seguros. Casos de furto no Centro do Rio não são ignoráveis – e não digo isso pra assustar e você pensar “AHHH, socorro, então não vou mais”, porque eles são exatamente iguais aos casos de furto em todo Centro de cidades grandes do Brasil e da América Latina, é só pra ficar atento e curtir sua viagem evitando maiores problemas.

Dica 4 do que não fazer no Centro: Visitar o Real Gabinete Português de Leitura se você for muito fã de livros (contém ironia)

Não recomendo, porque você vai ficar maluca de tão apaixonada. Vai te dar vontade de ler tudo, de mexer em tudo, de cheirar os livros, de morar lá.

Mas não pode fazer nada disso, então você só vai passar vontade.

Inclusive não pode mexer nos livros também: você só pede pra bibliotecária e ela te dá. Tem um catálogo online que você pode ver. E também não pode levar seu próprio livro pra ler.

E também não recomendo cheirar os livros, especialmente se você tiver rinite, porque muitos deles são bem antigos (Machado de Assis lia lá, pra te dar uma noção), e além de ácaros agora também tem o corona, o que torna colocar o nariz nas coisas praticamente um esporte radical, de tão perigoso.

Além de tudo, o Real Gabinete Português de Leitura é um lugar perigoso porque corre o rico de te causar uma síncope de emoção quando entrar. É lindo demais. Evite, pelo bem do seu coração: você pode ficar taquicárdico com tanta beleza.

É emocionante demais pensar todas as histórias que ele guarda (e em todas as acepções da palavra “história”), que ele atravessou tantas fases do Brasil (desde o Império até hoje), que o maior escritor do nosso país se tornou o maior escritor do nosso país por lá (tem uma placa homenageando Machado de Assis ali no meio). Meu coração pulou uma batida assim que entrei e olhei ao redor. Definitivamente não recomendo essa biblioteca a cardíacos.

Mas pra quem quiser ver uma das bibliotecas mais deslumbrantes e ricas em história do mundo, fazer um passeio bacana, bonito, rápido e gratuito – e se você não desmaiar muito facilmente de emoção – até que recomendo. Muito. Definitivamente.

Dica 4.2: Evite também ir na loja do lado (essa dica também contém ironia)

Logo ao lado do Real Gabinete Português de leitura tem uma perigosíssima “loja de souvenir do Real Gabinete Português de Leitura”.

Essa loja é como uma rã venenosa: pequena, mas perigosa. Todas as lembranças na loja são absurdamente lindas. Tem uns cadernos lindos, uns bloquinhos lindos, uns chaveiros lindos, uns porta-copos lindos, enfim, tudo é lindo naquela danada daquela loja. Até eu que não sou turista quis comprar um caderno de lembrança do Rio de Janeiro, o que não faz muito sentido, porque já tenho “lembrança” do Rio de Janeiro todo dia que acordo e lembro que moro nele.

Dica 5 do que não fazer no Centro: Se descuidar quando estiver tomando cappuccino perto dos murais do Kobra no porto maravilha

O mural pode ficar de olho grande no seu cappuccino, como ocorreu com esse aqui e foi flagrado:

No mais, recomendo sim o passeio pelo Porto Maravilha e a visita aos murais, porque é bem bonito e tem várias atrações por lá, como o AquaRio, a Roda Gigante Star Rio e museus bem bacanas ali perto (um que recomendo muito é o Museu Histórico Nacional). E falando em passeios perto do Porto Maravilha…

Dica 6 do que não fazer no Centro do Rio: Só olhar a Ilha Fiscal de longe

A Ilha Fiscal merece um passeio, então se puder, encaixe no seu roteiro, e não fique só babando em como ela é linda de longe: ela é linda de perto também (e tem uma história fascinante).

Que foi lá que rolou o último baile do Império você provavelmente já sabe, mas a Ilha Fiscal guarda outras curiosidades interessantíssimas: dizem que Walt Disney se inspirou lá pra criar o próprio símbolo da Disney e o castelo. E de fato, parece muito o Castelo da Disney mesmo.

Rende umas fotos boas pra confundir os parentes, que não vão entender como você foi pro Rio de Janeiro mas fez escala em Orlando:

Então lembra dessa dica e não deixa a Ilha Fiscal passar batida por seus passeios no Rio de Janeiro. Recomendei a Ilha, inclusive, nessa lista aqui de 10 passeios gostosos e baratos no Rio.

Dica 6.2 do que não fazer no Centro do Rio do Rio de Janeiro: só olhar as catedrais e mosteiros por fora

Assim como não recomendo que você só veja a Ilha Fiscal de longe, também não recomendo que você perca a oportunidade de entrar nas igrejas do Centro do Rio. Muitas delas são lindas por dentro.

Um exemplo é a Igreja da Ordem Terceira do Carmo, na Rua Primeiro de Março (se você chegou aqui pelo Pinterest clicando em uma foto de igreja linda, era ela!). E outro exemplo, icônico, é o Mosteiro de São Bento, que é incrivelmente lindo. Fica na Rua Dom Gerardo, perto da estação Carioca de metrô. Só ligue antes para confirmar se estão abertos à visitação ou verifique na internet (e isso é uma boa ideia para todos os lugares atualmente, pois o funcionamento pode variar com a situação atual da pandemia).

Dica 7 do que não fazer no Centro do Rio de Janeiro: andar muito lentamente e de forma contemplativa

Em 90% do tempo tá todo mundo com pressa no Centro do Rio e você corre o risco de ser atropelado se andar de forma muito lenta ou contemplativa – os 10% restantes são no fim de semana – aquele mesmo em que o Centro parece um cenário pós-apocalíptico, então não vale tanto a pena ir. Ou seja: o dia ideal pra visita do Centro é um dia útil, e a velocidade ideal é 50 km/h, sem muitas pausas contemplativas ou pra tirar foto no meio da rua.

E falando em tirar foto, leia também: Como tirar fotos ruins na viagem (porque as boas todo mundo acha que já tira)

Dica 8 do que não fazer: Passear no Centro do Rio depois das 19h

Aqui vale a mesma recomendação – e pelos mesmos motivos – do “passear no Centro no fim de semana”. Vou pro Centro todo útil, e acho impressionante como os ares do bairro mudam completamente se eu voltar pra casa às 18h ou 18:40h, e o level de dificuldade dessa “quest” aumenta exponencialmente. É como se depois de determinado horário houvesse um toque de recolher.

Durante a pandemia isso se agravou, e muitas lojas tem fechado já às 17h, então o ideal é programar seu passeio no Centro pra acabar no máximo até às 18h e você voltar tranquilamente.

Voltando até umas 17:40 é bom que pega o trânsito mais tranquilo e transporte público mais vazio também. A partir de 18h as ruas começam a esvaziar, o metrô começa a lotar e o trânsito a engarrafar.

Conclusão do que não fazer no Centro do Rio de Janeiro:

A conclusão principal do Centro do Rio de Janeiro aqui é: vá até o Centro. Conheça mesmo o Centro do Rio, que tem muita atração bacana (vai vir um post só sobre o que fazer ainda) e vale a pena.

Seguindo as recomendações acima, sua experiência pode ser ainda melhor, mas de toda forma, se você só tiver um fim de semana, se não resistir a usar a câmera no pescoço, ou se não puder evitar qualquer das recomendações do que “não fazer” acima (tirando as que obviamente contém ironia), seu passeio no Centro do Rio pode ser uma delícia também.

E se for/já foi bater perna pelo Centro, conta como foi sua experiência aí embaixo e se as dicas foram úteis!

Leia também: 10 passeios muito gostosos, baratos (vários são até gratuitos!) e tranquilos no Rio de Janeiro

2 comentários sobre “O que NÃO fazer no Centro do Rio de Janeiro (contém ironia) – 8 dicas de “sobrevivência” pra 1 dia inteiro de passeio por lá

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