Por que tenho um blog? (ou “5 motivos pra manter o seu, mesmo sem ganhar um p*to com ele”)

Dia desses eu tava desanimada, por qualquer dessas milhares de variáveis que são capazes de abater o ser humano, que abrangem desde problemas sérios à coisas bocós como “derrubar suco de uva no colchão novo”.

O motivo do desânimo não importa tanto, e sim algo que me fez sorrir durante ele.

Um comentário gentil, saber que alguém leu vários textos por aqui, ou uma memória resgatada de um post… todas essas sutilezas doces que ter um blog acaba proporcionando.

Então decidi escrever sobre essa coisa toda de “como é ter um blog” e por que muita gente mantém os seus, mesmo que boa parte deles não renda retorno financeiro efetivo ou participações no programa Encontro com Fátima Bernardes (mas claro que ganhando dinheiro fica ainda melhor, então qualquer coisa façam reservas pelos links daqui :V).

1. Ser útil

Reza a lenda (ou “estudos indicam”) que pra uma pessoa ser feliz, ela precisa sentir que faz “sua parte” no mundo. Deve ser justamente por isso, aliás, que tá todo mundo pirando e entrando em depressão: ninguém sabe que parte é essa, nem se ela existe.

Eu também não sei, só desconfio. Meus dois centavos: nossa parte no mundo provavelmente é tentar fazer dele um lugar mais bacana pra outras pessoas viverem.

Até porque a gente vive nele também, e é mais negócio viver num mundo de gente feliz.

Daí que daria pra fazer isso de muitas maneiras, desde as mais simples como uma quebrada de galho pro colega de trabalho que tá mais sobrecarregado de serviço que os outros, um sorriso pra moça do caixa, um lembrete pro seu amigo que anda desanimado que ele é querido e você lembra dele com memes de cachorrinho.

Pode ser até comprar um picolé com o senhor que tá em pé no sol tentando vender algo há 9 horas ou doar R$ 1.700.000,00 pra uma ONG. Fazer qualquer que seja seu trabalho da melhor forma possível, retirar o tumor de um paciente numa cirurgia, dar boas aulas de inglês, tirar bem a poeira dos cômodos e salvar aquela pessoa alérgica, atender com gentileza os clientes.

Entre tantas possibilidades, até um raio de um post em blog pode ser útil pra alguém, e ajudar de alguma forma.

“Nah, tá forçando a barra”. Tô não. Nessa empreitada de “fazer sua parte”, até ficar do lado direito da escada rolante e deixar quem tá com pressa passar do lado esquerdo já tá valendo.

Blogs de viagens já me ajudaram a montar um roteiro de viagem prazeroso, a descobrir lugares lindos, a não cair em furadas, a economizar em passeios, a achar passagens baratas e a ter momentos mais agradáveis ainda do que seriam sem as dicas deles.

Já me inspiraram e já me renderam leituras prazerosas em madrugadas meio furrecas.

Daí que toda vez que alguém escreve aqui agradecendo ou pedindo alguma dica da cidade tal, ou deixando qualquer comentário gentil sobre algum texto, eu sinto uma dessas satisfações que se tem quando a gente pede um pedaço de torta, e a moça que te atende é generosa e parte um pedaço inesperadamente gigante pra você.

Ou quando a gente se sente útil no mundo mesmo.

E já que mencionei os comentários gentis…

2. O leitor (também conhecido como “você”)

Saber que alguém leu os textos já rende alegria suficiente, mas quando quem lê se dispõe a “verbalizar” isso por comentários, e-mails ou redes sociais (apesar de eu não ser muito chegada nelas e ver tudo com 3 meses de atraso), aí esse negócio de “ficar alegre” atinge outro nível.

cenas de blogueiros recebendo comentários

É bem verdade que blogueiros provavelmente continuariam escrevendo por hobby, mesmo que absolutamente ninguém lesse (e é o que a maioria faz mesmo), mas palavras de incentivo tornam tudo melhor.

Os leitores, não só os que comentam, mas os que retornam, ou os que nos dão a alegria de passear por mais de um texto, são sempre uma baita motivação.

3. Registrar os momentos e relembrar com mais detalhes depois

A própria escrita só surgiu na história da humanidade porque um dia alguém quis registrar muitas coisas que a memória não era capaz de armazenar.

E foi bem por conta disso que o 1 viagem, 2 visões nasceu: eu basicamente queria ter registros dos momentos gostosos (ou dos perrengues memoráveis), pra depois lembrar com um sorriso no rosto – ou rindo da própria desgraça. É por isso que aqui tem até uma categoria de “viagens que amamos” e outra de “viagens que não gostamos tanto“.

motivos para ter um blog
algumas das lembranças gostosas

A memória realmente trai, e muitas lembranças podem se perder ou se transformar quando não registradas. Outro dia quis reviver a ordem de lugares em que assisti o pôr do sol em Montevidéu, por exemplo, ou lembrar o nome do restaurante em que comi uma das melhores refeições da minha vida, e como não registrei isso em post algum, pronto, se perdeu.

Uma pena. Agora eu ainda lembro daquela vez que um colega chato pra caramba puxou minha trancinha no recreio, mas não lembro de detalhes de algumas das cenas mais lindas que já presenciei. Memória burra.

4. Os amigos que (realmente) fazemos

Eu sei que chamar alguém de “amigo” mesmo é tão bom quanto raro, e as relações costumam passar por algumas fases tipo “admiração distante”, “admiração próxima”, “você é realmente gente boníssima” e o “já posso te chamar de amigo, né?”.

Muita gente se empolga e sai chamando de amigo todas as categorias.

Mas entre tantas categorias, uma coisa que dá pra afirmar é que o blog me fez conhecer pessoas muito amáveis.

Algumas se firmaram/vem se firmando na minha vida como amigas, outras na grande admiração distante (e nem devem imaginar), outras vem chegando na grande admiração próxima, e outras no “você é realmente gente boníssima, pqp”.

Independentemente da categoria, é realmente especial que um blog agregue tantas pessoas legais, que nos fazem nutrir carinho e admiração, às nossas vidas.

5. A “terapia” da escrita

Escrever tem todo um potencial terapêutico incrível, que só quem já “desabafou com os dedos” em um teclado (ou com a caneta mesmo) tem noção.

Às vezes alguma titica te acontece e você começa a escrever sobre, desolado, esmurrando o teclado pra aliviar. Ao final do texto você já nem sente mais aquilo tudo, e acaba apagando porque não faz mais sentido.

antes-depois-terapia-da-escrita.png
eu

A escrita também é prazerosa, te distrai. Enquanto se escreve um artigo científico, um post ou uma lista de compras no mercado, o pensamento se concentra em cada palavra que se forma, e não na fome na Etiópia, no terremoto no México, no colchão todo manchado de roxo por conta do suco que você derrubou lá no primeiro parágrafo desse texto.

Conclusão

Houve um tempo em que pessoas criavam algo como diariodajuju.blogspot.com pelo simples prazer da escrita e da partilha. E esse tempo graças a Deus ainda não passou.

Embora muitos acreditem que manter um blog é motivado só por números (seja em dinheiro ou seguidores), a maior motivação do blogueiro costuma vir de sutilezas, como um comentário doce, uma memória gostosa que se resgata ao reler textos, a possibilidade de criar e compartilhar conteúdo, e as amizades (ou “admirações distantes”) que se fazem nesse negócio aqui que leva nome esquisito de “blogosfera”.

E a motivação vem também de você, que chegou até o fim desse texto. Muito obrigada pela leitura.


Leia também: Como conciliar o amor por viajar com o medo de avião?

20 comentários sobre “Por que tenho um blog? (ou “5 motivos pra manter o seu, mesmo sem ganhar um p*to com ele”)

  1. pois, minha querida amiga, de verdade, teu blog é daqueles em que a gente sente uma alegria imensa ao chegar nele. a escrita leve, solta, descontraída, com alto senso de humor e ironia, faz uma diferença, a favor, e a ler torna-se um prazer. e de quebra, informações, fotografias, etc. o meu primeiro terminou por falta de espaço, comecei do zero outra vez, e sabe, está algo que pode ser importante: o que publicamos viaja pelo mendo. o primeiro Chronos chegou a mais de 80 países. continuar é preciso. siga em frente. aqui no sul, há quem admire e gosta muito do que você faz. o meu abraço.

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  2. Obrigado pelo texto, diria que passo por uma certa crise de criatividade na escrita e também certo desânimo no que se refere a escrever para o meu blog Rotas Na América, então seu texto se faz extremamente útil para eu relembrar algumas dessas “vantagens” de escrever. 😉

    1. Muito feliz de saber que ajudei de alguma forma, eu que agradeço. Não desanima mesmo, vai levando no seu ritmo, sem pressão, quando a inspiração/vontade de escrever bater. Seu blog foi, inclusive, um desses “achados” em madrugadas que nos trazem prazer em ler.

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  3. Obrigado por esse texto…
    Estou numa luta interna sobre querer escrever meu blog e não ter a mínima força de vontade de pensar no teor do texto…
    Vou me esforçar pra escrever, documentar o que tenho guardado na memória, pra não se perder com o tempo.
    Novamente, obrigado por esse texto.

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    1. Barbudo, me deixou feliz de verdade ler seu comentário. Obrigada por isso. Aqui nesse blog eu também já tive muitos hiatos, impostos por fatores externos ou internos, e uma coisa que vi que ajuda é não se pressionar. Se a gente começou a escrever por prazer, que seja o prazer que nos faça continuar, e que nesses momentos difíceis você só escreva quando te apetece. A vida já tem muitas obrigações, pra que a gente transforme um hobby em uma delas. Obrigada pelo comentário e volte sempre!

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  4. “que ele é querido e você lembra dele com memes de cachorrinho”… Não poderia vir de outra pessoa isso. Eu amo os memes de cachorrinho que recebo. Obrigada por compartilhar conosco sentimentos tão genuínos. Obrigada por fazer parte do meu clã. Beijos carinhosos, da Doda

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