As pessoas que nos marcam nas viagens – uma história sobre despedidas

atravessando a rua em Santiago o melhor do ChileUma coisa que muita gente tem noção é que viajar pode transformar uma pessoa (inclusive pra pior).

E entre todas as muitas transformações possíveis, vem aquela tal “capacidade de desapego”, que se você ainda não tem, acaba surgindo naturalmente. Ou na marra, por pura necessidade, porque viajar também envolve se despedir.

Não só se despedir da sua cidade antes de partir, dizer “até daqui a 2 semanas” (nem até “daqui a 1 mês” ou “até o fim do meu ano sabático”) pras pessoas que você ama e vivem próximas.

Da mesma forma que coisas e pessoas incríveis se apresentam pra gente durante viagens, nós também dizemos “adeus” depois.

E por não saber se um dia vamos rever muitas delas, esse texto é uma forma de homenagem e agradecimento a todos que já passaram pela nossa vida, em todos os lugares, e deixaram um gosto doce de que “bondade existe em todo lugar do mundo”.

1. No Peru: 

Uma coisa que você vai notar no Peru é que as pessoas, em regra, não “fazem cerimônia” pra nada: se sentem absolutamente à vontade com você, e fazem você se sentir à vontade também.

Esse país foi o lugar de conhecer umas mil pessoas absurdamente simpáticas e efusivas.

Foi no Peru que conhecemos um anfitrião que na verdade era um anjo. Parecia um amigo de longa data (e de fato se tornou um), e o tanto que ele nos ajudou por lá, não tá no gibi.

Já falamos por aqui sobre ele e sobre a casinha dele, que por sinal foi a melhor hospedagem que experimentamos em Lima (experimentamos várias por lá, então isso realmente significa bastante coisa).

Vale mencionar também o taxista que nos levou até Huacachina. História marcante, porque primeiro, ele fez a gente achar que ia ser sequestrado e morrer (falei mais sobre isso no post). Depois, a gente descobriu que ele era gente finíssima.

Inclusive era um grande fã de Street Fighter, que sonhava em achar um controle de Super Nintendo que funcionasse, e ficamos de enviar…

Ainda não enviamos.

2. No Chile:

O troféu das histórias aqui vai para:

O passarinho que encontramos ferido na rua.

E todas as pessoas incrivelmente prestativas que nos ajudaram a cuidar dele.

floppy-hat-na-vinicola
esse chapéu aí virou ninho pro passarinho e nunca mais pude usar

Em regra, chilenos tem um senso de unidade, cooperação, respeito e ajuda ao próximo muito grande, e contei mais sobre isso aqui.

E não posso nunca deixar de mencionar a Doris, que me levou correndo pro hospital quando precisei, e se deu ao trabalho de inventar uma história pro médico sobre eu ser uma “estudante fazendo intercâmbio” pra me poupar de pagar uma fortuna na consulta.

3. Na Colômbia – mas mais especificamente em Medellín:

Absolutamente todos os seres humanos que lá vivem. Não conseguiria citar só alguns.

Acredite em mim quando eu digo que as pessoas de Medellín são realmente sensacionais.

Naquele post (que tá mais pra “declaração de amor”) sobre os motivos para conhecer Medellín, os moradores da cidade são um dos principais motivos listados.

Eu não conseguiria explicar pra você de uma maneira que faça jus à amabilidade dos “paisas”, então vá até lá e descubra. Vai valer a pena.

4. Na Argentina:

Voltei com tanta birra de Buenos Aires que não consigo pensar em nada.

5. Em Aruba:

Como acabei de voltar, ainda sou capaz de listar nomes. Ainda assim, era tanta gente bacana e com histórias fascinantes em Aruba que tenho medo de acabar esquecendo algumas.

Landa, Jinn, Sergio, Roland, o casal de Medellín (pqp, encontramos pessoas incríveis de Medellín até em Aruba), Lemieux (que por sinal contou que a mãe dele é de… Medellín), a colombiana sensacional que nos deu carona… que não era de Medellín, mas era de uma cidade bem próxima.

Nessa lista também entra o pessoal do Kukoo Kunuku… e tantos outros, que tô me ligando que tá perigoso de esquecer de mencionar alguém, mesmo fazendo pouco tempo.

6. No Uruguai:

Aqui conhecemos apenas o melhor taxista da história da humanidade.

No saldo geral ele  parou em um ponto bonito da cidade pra tirar fotos nossas sem cobrar nada a mais, nos convidou pra um churrasco na casa dele, e parou de ler o jornal dele, pra nos dar como lembrança no final.

Foi graças ao taxista que aprendemos também com riqueza de detalhes a história do Chivito, um prato típico (e ultra saboroso) do Uruguai.

História que começava com “Chivito é… uma cabritinha. Mas não tem cabritinha no Chivito.”

7. Ao redor do Brasil/mundo todo logo:

O grande problema de citar pessoas é que você se sente injusto por não mencionar outras. Com certeza eu não citei todas as pessoas incríveis nos tópicos acima.

Não vou fazer isso aqui também: em síntese somos gratos a todos que fizeram parte de alguma forma das viagens e nos arrancaram sorrisos, tornaram elas ainda melhores, nos ajudaram em tantas coisas, nos ensinaram, nos fizeram enxergar mais beleza ainda nas coisas.

No fim das contas, as viagens que fazemos e cidades que vemos não significam tanto quanto as pessoas incríveis que criam as histórias delas.

E todas as pessoas que conheci graças aos registros das viagens aqui no 1 viagem, 2 visões. Inclusive você, que tá lendo agora. Muito obrigada.

Viajar pode até te tornar capaz de lidar (um pouco) melhor com um adeus, de ir embora ou de ver o outro partir.

Mas também é algo te dá toda a esperança nesse mundo de que seres humanos sempre tem potencial pra serem maravilhosos, e tornam esse mundo já tão lindo em algo mais bonito ainda.


Pra ler mais relatos sobre cada um dos lugares na lista, é só clicar nas categorias lá em cima no menu.

E siga o 1 viagem, 2 visões no facebook, instagram e youtube também! Até o próximo post!

 

7 comentários sobre “As pessoas que nos marcam nas viagens – uma história sobre despedidas

  1. Por isso eu gosto de ti, foi essa sensibilidade e muito bom humor que me fizeram simpatizar e ter a certeza que esse não era apenas mais um “blog de rostinho” bonito na Web!! Essa capacidade de enxergar as pessoas são poucos os que têm. E sim, nós deixamos um pouco de nós em cada lugar por onde passamos e levamos muito daquele lugar conosco. Mesmo que nunca mais voltemos ali, ficamos felizes por ter conosco essas lembranças e os amigos além mar que fizemos! Um beijinho

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    1. Seu comentário fez o post valer a pena, muito obrigada pelas palavras tão doces 🙏 Digo o mesmo! 😊💓 As trocas realmente nos ensinam/agregam muito mais do que os cenários puramente. E ainda valeu a pena fazer os registros delas aqui e conhecer tanta gente tão querida, como você. Um beijo!

      Curtido por 1 pessoa

  2. Você escreveu um post que é verdade. Quantas pessoas, que chamo do outro mundo, passam por nós em viagens e no fundo assim como ficamos elas voltam com a gente. Ao ler, fui fazendo a colheita de cada uma. E felizmente não cabe onde moramos. Ninhos são a solução. Muito sensível o teu post. Meu abraço.

    Curtido por 2 pessoas

  3. Não viajei nem de longe o tanto que você, mas seu post arrancou lagriminhas dos meus olhos. Porque é isso mesmo. Das viagens que fiz, mesmo para lugares próximos, no fim o que acabou me marcando foram as pessoas. E essa talvez seja a maior alegria de viajar, e da vida como um todo, a oportunidade de conhecer novas pessoas. No fim é isso que a gente leva também e faz toda a confusão da vida valer a pena. rsrsrs 😀 ❤

    P. S.: Só queria dizer que adorei sua menção a Buenos Aires. HAHAHAHAHAHA

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