Deserto de Paracas ou “alguém me tira daqui”

Esse post provavelmente vai ser escrito com um cadinho de “rancor” porque a gente viveu uns perrengues meio brabos em Paracas, e agora toda vez que eu lembro de Paracas, lembro de perrengue.

playa roja reserva de paracas
mas que lá é bonito pra caramba não tem nem discussão

Claro que se não fosse pelo perrengue, as memórias mais vívidas seriam as das paisagens impressionantes, ou de ver conchas fossilizadas no meio de um deserto que já foi mar um dia (e com isso constatar que já foi mar mesmo, porque geralmente eu ouvia “deserto que já foi mar” mas essa ideia nunca entrava muito na minha cabeça). Sempre é muito abstrato esse papo aí, e de repente se torna tão concreto quando você acha um fóssil de milhões de anos de caracol do mar no meio da areia do deserto.

Mas vou resumir o perrengue, pra não passar um post inteiro resmungando: basicamente a gente ficou preso no meio do deserto por horas, porque o motorista foi tentar bancar o malandro e “cortar caminho” (ou qualquer coisa parecida) fazendo um trajeto alternativo, e aí as rodas ficaram atoladas na areia, no meio do nada.

presos no deserto de paracas
tadááá

E aí foi isso. Teve criança chorando achando que ia ficar presa no deserto pra sempre e morrer (escrevendo agora é engraçado – embora também tenha sido um pouco engraçado na hora, e eu provavelmente não valho nada por isso), teve gente deitando na areia e tirando parte da roupa pra “pegar um bronze” (mas pegando uma insolação), teve guia sem noção, e teve o alívio danado e comemoração no final quando tudo deu certo, e conseguimos seguir pra próxima viagem de noite.

fazendo hora no deserto de paracas
esperando o “resgate” tirando foto no deserto, por que não, né?

Agora indo pra parte boa e parando de mascar rancor: a reserva de Paracas tem umas paisagens interessantes demais. Gostei bastante de ter ido, e não eliminaria o passeio da lista não, só mudaria alguns detalhes (o motorista, por exemplo).

Como são (ou pelo menos costumam ser, quando seu carro não empaca no meio do deserto) os passeios pela Reserva de Paracas?

O passeio pela reserva começa num museu em que o guia explica como o lugar era há zilhões de anos atrás.

Nesse museu, ele provavelmente também vai contar do terremoto que teve recentemente que destruiu a p*rra toda e mudou bastante a paisagem, e aproveitar pra fazer uma piadinha com “hehehuheh espero que não tenha um agora enquanto a gente tá aqui ^__^”, pra deixar todo mundo com medo.

E por falar nisso… sugestão: Vá com um guia

Essas explicações são realmente bem bacanas, e faz toda diferença estar com um guia que saiba da história do lugar. Acho que um passeio sem isso seria meio “fueim”.

Do tipo, você vê as paisagens, reconhece que são bonitas, mas 80% da “magia” se perde, já que você perde a história de tudo aquilo que tá vendo, e detalhes que enriqueceriam muito o passeio.
Às vezes só de deixar de olhar pra uma parte do chão de uma forma diferente já te faz perder uma parte boa da experiência.

Olha um exemplo de como o guia faz diferença: em determinado momento, enquanto ele explicava sobre o sal no deserto, resolveu ir pra areia catar pedras de sal, encontrou algumas e deu pra gente provar.

Se não fosse o guia catando pedra de sal no deserto, não era a gente que ia do mais absoluto nada decidir colocar areia na língua, definitivamente. E agora, graças ao guia (Michel, esse eu lembro o nome, porque marcou mesmo, olha só), a gente pode marcar na to-do-list já: provamos sal do deserto (e é sal mesmo, e normal, tipo qualquer sal que a gente prova aí, nada muito diferente).

Os pontos mais bacanas do passeio no Deserto de Paracas:

Um dos lugares mais interessantes da reserva é Lagunilla, que é um dos pontos em que o deserto se encontra com o mar (isso aí já bastaria pra valer o passeio todo).

Lá parece uma praiazinha bem rústica, com restaurantezinhos simples que oferecem ceviches gostosos, e apesar de ser uma praia, que é algo que a gente já tá pra lá de bagdá de acostumado, tem algo de “verdadeiro/selvagem” nela que não sei explicar.

Na verdade não consigo enxergar esses lugares como “praia”, porque praia pra mim é… praia… Deserto encontrando mar é… deserto encontrando o mar… pra mim foi algo bem único, não consigo comparar (Ricardo no entanto achou que era praia mesmo e pronto).

reserva de paracas 22
você tá no deserto aí de repente OPA APARECEU O MAR AQUI DO NADA

Tem também a Playa Roja, e vale pra ela o mesmo que eu falei de Lagunilla, com o “plus a mais” de ter a areia totalmente diferente das areias que a gente vê por aí (a areia é na verdade uma mistura de micro pedrinhas de cores diferentes…que ficam grudadas no pé pra todo o sempre). E além disso ela é a “praia dos lobos marinhos“, embora a gente não tenha visto absolutamente nenhum (mas não ficamos tão tristes com isso porque já tínhamos visto lobo marinho até dizer chega nas islas ballestas – e isso é material pra outro post, aliás).

areia da playa roja difiiicil de tirar do pe
“areia” da playa roja que fica grudada no pé pra todo sempre

Acho que vale bastante a pena o passeio pra quem tá com tempo sobrando, e dá perfeitamente pra fazer uma dobradinha de Islas Ballestas (que também é fascinante)+Reserva de Paracas.

E se a pessoa não der o mesmo azar que a gente, também daria até pra  encaixar mais coisa no fim do dia. Só atentar pro “FIM do dia”, e bota fim nisso, porque a gente tinha que viajar de noitinha e quase perdeu o ônibus com esse perrengue aí de ficar preso no deserto (mas não deve ser algo comum, imagino) e alguns outros pepinos no caminho.

Não tô falando nenhuma novidade, mas é sempre bom (ME) lembrar de que em viagem a gente nunca pode contar com planos que tenham um horário muito “apertadinho”, com intervalos relativamente curtos entre uma coisa e outra.

A bem da verdade a gente de fato PERDEU o horário do ônibus, mas rolou um milagre mesmo e O ÔNIBUS TAMBÉM TINHA PERDIDO O HORÁRIO dele! ah9a8he8 ou seja, sem o  milagre, a gente teria se lascado mesmo.

el fotografo contemplativo en playa roja
o fotógrafo contemplativo na playa roja (que a meu ver não é playa e se bobear nem roja, mas vá lá)

Aqui definitivamente cabe uma menção honrosa pra um dos meus sites preferidos, o Planejo Viajar, porque foi lá que peguei umas mil dicas antes de ir pra Paracas e a autora ainda foi absurdamente gentil e atenciosa e me passou (dentre outros) o bizú que era possível ir pra Paracas (ou Islas Ballestas, ou ambos) já com as malas, deixando elas na van na hora de sair pra fazer os passeios, pra depois já ir direto com as malas de Paracas pra próxima viagem (que era nosso caso). As dicas que a Ana escreve fizeram absolutamente toda diferença.

Por que você não deveria ir de short e camiseta pra Paracas:

AAAH É, um negócio interessante que já ia esquecendo de registrar: Paracas é uma palavra de origem quechua que significa algo como “chuva de areia”, porque lá vive tendo tempestade de areia, e VENTA PRA CARAMBA, DEMAIS, DEMAIS MESMO.

Uma coisa que é facilmente observável pelo meu cabelo desgrenhado e voando na cara em todas as fotos.

deserrrto
lista de coisas que não são possíveis em Paracas: 1. sinal de celular 2. não gostar das paisagens 3. sair com cabelo ok numa foto (4. cortar caminho com o carro pela areia, não deixem seu guia fazer isso)

A areia chega a machucar, a depender da força do vento e se a pessoa não estiver protegida, então ir de short, por exemplo, pode não ser uma boa ideia.

Na verdade ir o mais coberta possível é até bom pra evitar pegar uma insolação. Ir com um casaquinho daqueles corta-vento mais específico pra corrida/atividade física em locais frios, que também vai evitar que você sue loucamente, é provavelmente uma ideia bacana. Fui com um desses e foi uma BAITA mão na roda, se não fosse por ele eu teria virado um tomate cereja ardido e infeliz (e maltratado pelo vento jogando areia com essa força).

E chega ao fim esse post de sofrimento, mas se você tiver uma tendência ao sadismo e consequentemente quiser ler mais relatos sobre a gente passando perrengue em viagem, aqui tem logo uma lista:

  1. O que eu não devia ter feito (nem ninguém) quando fui pro Chile
  2. Breve relato de 2 pessoas morrendo de tédio em BH
  3. Como raios sobreviver sem carro em Brasília

Mais relatos e dicas sobre o Peru: aqui!

9 comentários sobre “Deserto de Paracas ou “alguém me tira daqui”

  1. Oii, tudo bem??
    Estou fazendo um intercambio no Peru e estou pensando se vou fazer esse passeio ou não. Sabe me informar qual o valor que gastaram no total com guia e transporte para a reserva nacional de Paracas? Obrigada 🙂

    Curtido por 1 pessoa

    1. Ooi, Nátali! :)) Ó, como não lembro do valor exato, vou chutar que foi por volta de 180 soles (não muito mais, não muito menos) pra fazer esse passeio e o outro das Islas Ballestas, juntos! Contando com a ida e volta de onde você estiver também (e o guia)! Fechei os passeios com um cara que conheci em Huacachina (comentei sobre no post de Huacahina!) lá tem muuuita opção de passeio pra Paracas, então negociando você sempre consegue melhorar o preço!
      Boa viagem! E deve ser maneiríssimo fazer intercâmbio aí! Depois conta como foi a experiência! Beijos 🙂

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